Prefeitos do mundo debaterão mudanças climáticas no Vaticano

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Prefeitos de 60 grandes cidades de todo o mundo foram convidados a participar, no Vaticano, de um evento inédito: um simpósio para compartilhar as melhores práticas de contraste às mudanças climáticas e à escravidão moderna.

Do Brasil, foram convidados prefeitos de sete cidades: São Paulo, Rio de Janeiro, Porto Alegre, Belo Horizonte, Curitiba, Salvador e Goiânia.

O encontro se realizará nos dias 21 e 22 de julho, na Casina Pio IV, dentro do Vaticano, com a participação de prefeitos de cidades como Roma, Paris, Bogotá, Boston, Cidade do México, Oslo e Vancouver.

Iniciativa

O evento foi apresentado aos jornalistas nesta quarta-feira, 15, pelo Chanceler da Pontifícia Academia das Ciências Sociais, Dom Marcelo Sánchez Sorondo, promotor da iniciativa. Ele explicou que a ideia nasceu há dois anos.

Na ocasião, o Papa e o Cardeal Vicent Nichols (Arcebispo de Westminster – Inglaterra) criaram o grupo de “Santa Marta”, que reúne os chefes de polícia e membros da Igreja para favorecer uma maior conscientização sobre os problemas que afligem os mais pobres.

“Todavia, os próprios policiais fizeram notar que seus superiores não são os bispos, mas os governantes e, em muitos casos, justamente os prefeitos. Seguindo o conselho deles, tentamos reunir os prefeitos para encontrar juntos as melhores práticas a favor da contenção das mudanças climáticas e da eliminação das novas formas de escravidão”, afirmou o Chanceler.

Dom Sánchez Sorondo acrescentou que há uma clara ligação entre essas duas emergências: a crise do clima e a crise social, ambas de origem antrópica, como ressalta a Encíclica Laudato si. Embora os pobres e os excluídos incidam minimamente nas alterações climáticas e vivam muitas vezes nas periferias das cidades, são os mais expostos às consequências dessas alterações.

Emancipar

“A nossa intenção – declarou o Chanceler – é que os prefeitos se empenhem em favorecer a emancipação dos pobres e dos que vivem em condições de vulnerabilidade, que se empenhem em acabar com os abusos, a exploração, o tráfico de pessoas e toda forma de escravidão moderna.”

A Pontifícia Academia das Ciências Sociais pede ainda que os prefeitos se empenhem em desenvolver programas de reinserção e integração social das vítimas, em nível nacional e local, a fim de evitar a repatriação forçada. “Em síntese – concluiu Dom Sánchez Sorondo –, gostaríamos que as nossas cidades e nossos centros urbanos se tornassem sempre mais socialmente inclusivos, seguros, flexíveis e ecologicamente integrados.”

Voz brasileira

O Prefeito de Belo Horizonte, Marcio Lacerda, declarou: “Nós vamos trazer ao Papa uma estratégia bem sucedida para superar a pobreza e promover a inclusão social e produtiva. Nós, prefeitos brasileiros, estamos promovendo microcrédito e empreendedorismo para gerar emprego e renda, garantindo dignidade aos pobres. Nós mostramos que somos capazes de implementar políticas públicas eficazes que sejam inclusivas e que têm resgatado milhões de brasileiros da pobreza extrema”.