Bispo relata situação difícil no Iraque após nova onda de violência

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Nova onda de violência no Iraque causou mais mortes; “Quando saímos para visitar uma igreja ou uma obra pastoral, não sabemos se vamos voltar”, conta o bispo auxiliar caldeu de Bagdá

Da Redação, com Rádio Vaticano

A situação segue caótica no Iraque, com o registro de novos casos de violência. Nas últimas 48 horas, pelo menos 15 bombardeios da coalizão internacional liderada pelos Estados Unidos atingiram objetivos do chamado Estado Islâmico, dez dos quais concentrados ao redor de Ramadi ou Sinjar.

No sábado, pelo menos nove pessoas morreram após uma série de bombas que explodiram em Bagdá. Não há reivindicações, mas as suspeitas caem sobre os militantes do Estado Islâmico. Pelo menos 15 jihadistas foram mortos por combatentes curdos peshmerga enquanto tentavam invadir o vilarejo de Bashary, oeste de Mosul.

O bispo auxiliar caldeu de Bagdá, Dom Basilio Yaldo, contou que todos os iraquianos sofrem com essa situação, com a falta de serviços sociais e assistência médica. O pior, segundo ele, é a falta de segurança. “Por exemplo, quando saímos para visitar uma igreja ou uma obra pastoral, não sabemos se vamos voltar, porque pelas ruas poderiam nos atingir uma explosão, uma bomba … Vivemos todos os dias com essas dificuldades”.

Para os cristãos a situação também é muito difícil, relata Dom Basilio, especialmente no norte do país, em Nínive, que se chama atualmente Mosul. A situação piorou após a entrada do grupo extremista Estado Islâmico.

“Tínhamos tantos vilarejos cristãos. Agora todos fugiram, muitos cristãos deixaram o Iraque e isso para nós é uma grande perda, porque se o país for esvaziado dos cristãos, não haverá mais a riqueza do país. Os cristãos trabalharam muito pelo Iraque no âmbito científico, cultural, religioso … Eles deram tanto ao país, ao Iraque. Todos sabem disso: quase todas as pessoas instruídas, como engenheiros, advogados, médicos, eram cristãos desde os primeiros séculos, quando os muçulmanos chegaram nestas terras. Foram os cristãos que trabalharam duro por este país, pelo Iraque”, finalizou Dom Basilio.