Terrorismo não altera agenda do Papa, diz cardeal Parolin

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O secretário de Estado do Vaticano, Cardeal Pietro Parolin, rejeitou qualquer alteração na agenda do Papa após os atentados da última sexta-feira, 13, em Paris. Ele afirmou que os terroristas procuram criar “medo”, mas agora é a hora certa para uma “ofensiva de misericórdia”.

“O que aconteceu na França mostra, de uma maneira ainda mais poderosa, que ninguém está a salvo do terrorismo. O Vaticano pode ser um alvo por causa do seu significado religioso”, admitiu o cardeal em entrevista ao jornal católico francês ‘La Croix’.

O responsável sublinhou que um aumento das medidas de segurança no Vaticano não pode “paralisar com o medo” a atividade no pequeno Estado. “Isto não muda nada da agenda do Papa, que vai continuar”, precisou.

Cardeal Parolin comentou, em particular, as iniciativas previstas para o Jubileu da Misericórdia, que começa no próximo dia 8 de dezembro e vai até novembro de 2016. “Agora é o tempo certo para lançar uma ofensiva de misericórdia”, observou, para dar uma “resposta positiva ao mal”.

Nesse sentido, o secretário de Estado do Vaticano disse que as portas estão abertas para os muçulmanos, pedindo uma “mobilização geral” a fim de erradicar o terrorismo, nos campos da política e da religião. “A violência cega é intolerável, qualquer que seja a sua origem”, denunciou.

Jubileu da Misericórdia: necessário mais que nunca

O diretor da Sala de Imprensa da Santa Sé, padre Federico Lombardi, disse que é preciso resistir com decisão e com coragem à tentação do medo. “Diria que o Jubileu da Misericórdia se tornou ainda mais necessário. Uma mensagem de misericórdia, ou seja, do amor de Deus que tem como consequência também o amor recíproco e a reconciliação. É exatamente a resposta que é preciso dar em tempos de tentação de desconfiança”, sublinhou, respondendo a quem manifestou receio sobre a realização dos grandes eventos ligados ao Ano Santo.

O arcebispo de Paris, Cardeal André Vingt-Trois, presidiu este domingo uma Missa pelas vítimas dos atentados, na Catedral de Notre-Dame. Em sua homilia, ele questionou como os jovens formados nas escolas e nas cidades de França podem ter como “ideal” de vida “o fantasma do califado e a sua violência moral e social”.