Deus não faz diferença entre os que sofrem – Papa em Bangui

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Na tarde deste domingo o Papa foi à Faculdade de Teologia Evangélica de Bangui para um encontro ecuménico com as comunidades evangélicas da RCA. Faculdade fundada em 1977 pela Associação dos Evangélicos em África para servir todas as Igrejas na proclamação da mensagem do Reino de Deus, explicou o Decano da Faculdade, Napanga Weanzana ao acolher o Santo Padre. Ele disse apreciar a simplicidade, humildade e generosidade do Papa Francisco que vai na linha do caminho traçado por Cristo. Acrescentou que a visita do Papa trará certamente à RCA uma era nova na via da paz e da reconciliação.

Por sua vez, o Presidente da Aliança dos Evangélicos na RCA, Nicolas Guerekoyame Gbangou manifestou a grande alegria de todos pela visita do Papa Francisco nesta hora difícil que o país está a viver devido às turbulências político-militares  que envenenam as condições de vida da população. Uma visita que acontece 30 anos depois da de João Paulo II, em 1985, o que levou Nicolas Gbangou a dizer que mais vale tarde do que nunca, mas a agradecer, contudo, a Deus por ter tornado possível esta visita do Papa Francisco.

Neste momento em que o país se prepara para as eleições, Gbangou frisou que as esperanças ligadas à visita do Papa se prendem com a de levar o país à normalidade democrática; à restauração da paz através do perdão; à tolerância, à coesão social; à esperança de ver restabelecidas no país as condições de segurança favoráveis ao desenvolvimento sócio-económico.

Expectativas – disse – que se inscrevem bem na linha de acção do Papa e relacionadas com o ambiente, a reforma do governo da Igreja e o Sínodo sobre a família.

Gbangou disse ainda que a Igreja na RCA, através da Plataforma Inter-religiosa está a trabalhar a favor da paz e que com esta sua visita o Papa manifesta a sua compaixão para com o povo centro-africano, oferecendo-lhe um modelo de amor a ser vivido quotidianamente. Só o amor de Deus – acrescentou – pode unir os corações divididos e gerar o perdão, a tolerância e a paz.

E solicitou o apoio do Santo Padre sobretudo no que toca ao desarmamento dos grupos armados; à reabilitação das Forças Armadas Centro-africanas; à reabilitação de certos projectos da Plataforma das Confissões Religiosas, de modo particular a criação de uma estação de rádio, de escolas e de centros de saúde inter-comunitários.

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O Papa Francisco “num profundo sentimento de amor fraterno” declarou-se feliz por ter a ocasião de encontrar os Evangélicos, dizendo “Estamos todos aqui ao serviço do mesmo Senhor ressuscitado” e recordou que pelo baptismo comum os cristãos são todos convidados “a anunciar a alegria do Evangelho aos homens e mulheres deste amado país da África Central”. E no contexto de sofrimento em que vivem os centro-africanos o anuncio do Evangelho se torna ainda mais urgente e necessário.

Dizendo que “Deus não faz diferença entre aqueles que sofrem, o Papa voltou a usar a expressão “ecumenismo de sangue”  para dizer que “todos no país, sem distinção, sofrem com a injustiça e o ódio cego que o diabo desencadeia”. E exprimiu a sua “proximidade e solidariedade ao Pastor Nicolas, cuja casa foi recentemente saqueada e queimada bem como a sede da sua comunidade” .

Este sofrimento comum e esta missão comum são, para o Papa Francisco, “uma oportunidade providencial para fazer avançar no caminho da unidade, sendo, para isso mesmo, um meio espiritual indispensável”.

 “A divisão dos cristãos é um escândalo”, porque contrária à vontade de Deus” e perante este mundo dilacerado por ódios e violências – disse o Papa, que exprimiu apreço pelo espírito de respeito mútuo e de colaboração que existe entre os cristãos da RCA. E encorajou-os a avançarem por este caminho num serviço comum de caridade. É um testemunho prestado a cristo, que constrói a unidade.

E exortou-os a juntarem cada vez mais “à perseverança e à caridade, o serviço da oração e da reflexão em comum, procurando um melhor conhecimento recíproco, uma maior confiança e amizade rumo á plena comunhão”

(DA)