O sacerdote escolhido por Francisco para pregar o retiro da Quaresma

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Cidade do Vaticano (RV) – Será o Padre Ermes Ronchi, da Ordem dos Servos de Maria, o responsável pelas pregações dos Exercícios Espirituais da Quaresma ao Papa Francisco e à Cúria Romana. Os Exercícios serão realizados de 6 a 11 de março, na Casa do Divino Mestre, em Ariccia. Foi o próprio Papa Francisco que telefonou ao religioso friuliano, pedindo a ele para fazer as pregações. Vamos ouvir o que o sacerdote nos diz a este respeito:

“A surpresa em receber um telefonema do Santo Padre e de ouvi-lo com esta simplicidade, com esta espontaneidade, com esta humanidade… fiquei comovido e feliz de encontrar uma pessoa desta qualidade e surpreso, felizmente surpreso, não pela tarefa a mim pedida, mas justamente pela felicidade de encontrar uma pessoa assim realizada”.

RV: Como foi a conversa?

“Foi um pedido de um favor, assim, com toda esta simplicidade, se eu poderia assumir esta missão de pregar os Exercícios Espirituais. Obviamente que eu disse: “Não sou capaz…”. Porém, a coisa mais bonita é que o Santo Padre, com este tom de delicadeza, me disse: “Queres conferir a tua agenda para ver se está livre?”. E isto me deixou muito tocado porque existe a pessoa antes de tudo… Eu achei isto de uma delicadeza rara”.

RV: Como o senhor recebe esta missão de pregar os Exercícios ao Papa e à Cúria Romana?

“Acolho-a com preocupação. Vou procurar transmitir as coisas que me fizeram bem, as coisas que me fascinaram, apaixonaram, da Palavra de Deus. Vou procurar transmitir o fascínio que eu senti  pela imagem, pela face de Jesus, pela face do Pai que está em Jesus e vou procurar traduzir este calor, esta beleza: o coração simples do Evangelho e a beleza poderosa do Evangelho”.

RV: O Papa considera muito as homilias dos sacerdotes, diz que devem ser claras, simples, breves… que as pessoas possam entendê-las…

“Isto vai de encontro a uma recordação que eu tenho da minha primeira missa, quando eu perguntei ao meu pai: “Como devo pregar às pessoas da minha cidade?”. E ele me respondeu em língua friuliana: “Pocjis e che si tocjin”, poucas palavras, mas simples e concretas. E então eu entendi desde lá que a Palavra deve ser encarnada, que se possa tocá-la, que tenha um impacto, que arrebate. Assumi este compromisso: não dizer nunca uma palavra que antes não tenha me alegrado ou feito sofrer, de outra forma não é encarnada e não alcança ninguém. E depois acredito, como segundo critério fundamental, a simplicidade: não elucubrar grandes pensamentos teóricos, mas fazer entender que estamos submergidos em um mar de amor e não nos damos conta disto. A terceira coisa é a beleza. A beleza, para mim, é um nome de Deus. E a quarta coisa é a positividade: sempre positivos, sempre criativos de esperança, o Evangelho é positivo, basta somente ler a sua etimologia”.

RV: Como o senhor está vivendo pessoalmente este Pontificado? O que o Papa Francisco está trazendo à Igreja?

“Está trazendo a primavera! E foi a primeira coisa que eu quis dizer naquele telefonema ao Santo Padre: agradecer-lhe por aquilo o que ele faz, diz, traz, por aquilo que nos transmite, por este sopro que varre o pó das prateleiras, dos rostos, dos encontros. E esta primavera para mim é realmente o florescimento do Espírito Santo. O Reino de Deus virá com o florescimento da vida em todas as suas formas e já aqui nós começamos a ver o florescer da vida, que para mim é a exultação”.

RV: O senhor, pertencendo à Ordem dos Servos de Maria, levará consigo nas meditações também a Mãe de Jesus…..

“Sem dúvida, será como imagem condutora, porque é a primeira dos discípulos, é a mais próxima ao Senhor, portanto é aquela que o encarnou. E eu imagino também que uma das coisas que eu poderei dizer será esta: que a imagem mais bonita do cristão, recordando Orígenes, a imagem mais intensa do cristão é Santa Maria grávida sobre os Montes de Judá indo de encontro à Isabel, à prima. O cristão é um mensageiro de Deus, é  grávido de Deus, grávido de luz, passa no mundo levando uma outra vida além da sua. Assim, a imagem de Santa Maria grávida que vai sobre os Montes de Judá de encontro à prima, também ela grávida, esta imagem: ser grávidos de Deus no mundo hoje, salvá-lo assim, ajudá-lo a encarnar-se agora”. (JE)