Conic elege nova diretoria em assembleia

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O Conselho Nacional das Igrejas Cristãs do Brasil (Conic) realizou sua XVI Assembleia Geral Ordinária, de 9 a 11 de abril, em Brasília (DF). Na ocasião foram eleitos os novos membros da diretoria e votada uma nova proposta para o Estatuto da entidade. O tema do encontro foi “Deus nos sonhou plurais” e o lema “Dá-nos um pouco de tua água”, o mesmo adotado para a Semana de Oração pela Unidade Cristã, marcada para 17 a 24 de maio.

O Conic divulgou uma carta ao final da assembleia na qual comenta o objetivo de “compreender o lugar das Igrejas no mundo atual, em seus valores, desafios e oportunidades para o testemunho do Evangelho”. O texto afirma que, no encontro, os representantes trabalharam na compreensão dos “caminhos de Des em nossa sociedade e as interpelações para a missão, a qual engloba o anúncio do evangelho através de um processo de presença e testemunho, vivência espiritual e litúrgica; o diálogo com as igrejas e com as religiões; o serviço de promoção humana e defesa da integridade da criação”.

Entre as atividades do encontro houve uma análise da conjuntura nacional, a apresentação do relatório financeiro, com parecer do Conselho Fiscal e relatório da auditoria, a apresentação e discussão do plano estratégico 2014 – 2020 e o lançamento do livro “Na casa de meu Pai há muitas moradas”, apresentado pelo monge beneditino Marcelo Barros.

O padre Elias Wolff, que foi assessor da Comissão Episcopal Pastoral para o Ecumenismo e o Diálogo Inter-religioso da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), fez uma exposição dos documentos da Comissão Teológica sobre Diálogo Inter-religioso e testemunho cristão em um mundo plural.

Diretoria

A presidência do Conic, até então ocupada pelo bispo de Cornélio Procópio (PR), dom Manoel João Francisco, estará sobre a responsabilidade do bispo anglicano dom Flávio Austo Borges Irala. Na vice-presidência estará o pastor luteranod Sinodal Inácio Lemke e Zulmira Inês Lourena Gomes da Costa, da igreja Siriana Ortodoxa de Antioquia. O novo secretário do Conic é o presbítero Daniel Gonçalves Amaral Filho, da igreja Presbiteriana Unida. O bispo auxiliar de Belém (PA), dom Teodoro Mendes Tavares, será o tesoureiro do Conselho.

Também foi escolhido o conselho fiscal da entidade, composto pela reverenda Magda Guedes Pereira, do Conselho Latino Americano de Igrejas – Regional Brasil; Sandra Márcia dos Santos, leiga católica; e Marcos Ebeling, da Igreja Evangélica Luterana.

Moções

Os membros do Conic também aprovaram três moções relacionadas a problemas de justiça social e direitos humanos. Em um dos textos fizeram o “apelo Ecumênico contra a aplicabilidade da Lei de Anistia aos crimes de violação de direitos humanos e pela criação de uma Comissão que garanta a continuidade das recomendações da Comissão Nacional da Verdade”.

Também posicionaram-se contra a tramitação da PEC sobre a redução da maioridade penal no Congresso Nacional, avaliando que a questão deve ser “enfrentada com eficientes políticas públicas para as Juventudes”. “A criminalização das juventudes revela uma face perversa da sociedade que prefere punir a educar”, resume o texto.

A realidade dos cristãos da Síria, do Egito, do Paquistão, do Iraque, da Nigéria e do Quênia foi tema da outra moção aprovada. No texto, relatam a constatação do aumento de violência, perseguições e mortes contra as minorias religiosas, incluindo entre elas igrejas e comunidades e pessoas cristãs.

“Como representantes de Igrejas que buscam viver em respeito e convívio solidário, entre si, e com outras matrizes religiosas, repudiamos o desrespeito e a violência contra liberdade de crença de pessoas e povos, e da sua livre organização e culto, assim como a apropriação compulsiva de bens e sequestro, levando estas pessoas a viver em situação de extrema miséria e insegurança. Condenamos também o uso da religião como justificativa para etnocídio, genocídio, ou qualquer forma de dominação, exploração e morte”, diz o texto.

O Conic exige de governos e organismos internacionais o repúdio às ações contra os cristãos e o amparo e refúgio aos envolvidos. “Que sejam exigidas do governo brasileiro gestões diplomáticas que garantam os tratados internacionais assinados pelo Brasil”, pediram ao Governo Federal do Brasil.

 Ao final, pediram orações. “Também oramos pelas pessoas que praticam esta perseguição, no sentido de se reencontrarem com sua humanidade e aceitarem o caminho da paz”, finaliza a moção.

Com informações e fotografia do Conselho Nacional de Igrejas Cristãs (Conic)