Novos bispos participam de encontro no Vaticano

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O evento, promovido pela Congregação para os Bispos, reuniu prelados do mundo inteiro.

Os bispos ordenados nos últimos doze meses estiveram no Vaticano, de 7 a 16 de setembro, para participar do Encontro de Reflexão para Novos Bispos. O evento foi promovido pela Congregação para os Bispos. Do Brasil, participaram 16 prelados.

O encontro foi denominado de “Peregrinação ao túmulo de São Pedro”, pois como afirma o bispo auxiliar de Porto Alegre (RS), dom Leomar Brustolin, “tratou-se mais de uma peregrinação do que propriamente um curso”.

“Em primeiro lugar, buscou-se a comunhão com a Igreja Católica presente ao redor do mundo. A oração comum e a convivência fraterna destes dias fizeram crescer os sentimentos de universalidade e apostolicidade. Diariamente ocorreram conferências, geralmente proferidas por cardeais da Cúria Romana, e diálogos para aprofundar os temas a partir das diferentes regiões onde os bispos se encontram”, explicou.

Para dom Leomar, o encontro com os novos bispos expressou visivelmente o fundamento da comunhão episcopal que se realiza pela unidade com o papa. “Dessa forma, com gestos e palavras, oração e convivência, cresce a consciência de que fomos constituídos servidores da comunhão eclesial e precisamos de uma constante conversão missionária para compreender nosso ser e nossa missão na Igreja de hoje.

A confirmação da fé e a comunhão com a Igreja também foram os aspectos ressaltados pelo bispo auxiliar de São Paulo (SP), dom Devair Araújo da Fonseca, sobre a importância do encontro para os bispos.

Encontro com o papa

Os novos bispos foram recebidos pelo papa Francisco no dia 10. Segundo dom Leomar, o papa deixou ao grupo uma importante mensagem, “convidando-os a serem pedagogos, guias espirituais e catequistas em suas dioceses”. Depois, Francisco saudou pessoalmente cada um dos 125 bispos”.

O papa também recordou os principais desafios da atualidade e lembrou aos novos bispos que nenhum setor da vida dos homens deve ser excluído do interesse do coração do pastor. Ele apontou questões como os desafios da globalização, “que aproxima o que é distante e, por outro lado, separa as pessoas próximas”, o fenômeno atual das migrações, entre outras.

O pontífice animou os bispos a não correr o risco de negligenciar as múltiplas e singulares realidades do seu rebanho, a não renunciar aos encontros, a não poupar a pregação da palavra viva do Senhor e convidou a todos para a missão.

Negar a si mesmo, assumir a cruz e seguir a Cristo

Durante missa concelebrada na basílica de São Pedro no último domingo, 13, por ocasião do encontro anual com os novos prelados, o secretário geral do Sínodo dos Bispos, cardeal Lorenzo Baldisseri, afirmou que eles devem banir o “mundanismo espiritual”.

Segundo o cardeal, esse mundanismo “contrasta com a missão de pastores”. “Deve ser banido da nossa vida, enquanto ameaça a Igreja muito mais do que qualquer outro mundanismo moral. E, para conseguirmos isso, é preciso dispor-nos a uma contínua conversão à lógica de Deus, à norma do Evangelho, à sabedoria da cruz” afirmou.

O cardeal defendeu que os pastores da Igreja católica devem negar a si mesmo, “tomar a cruz e seguir Jesus, o que significa pensar segundo Deus”. Para ele, o bispo, com seus colaboradores, sacerdotes e povo são, juntos, chamados a se colocar atrás de Jesus, o único que leva ao Pai. Nesse percurso, o bispo é chamado a caminhar à frente de todos, mas não decidir autonomamente, e sim, como o primeiro a seguir a Cristo e fazer-se seu discípulo.

A partir das palavras do Evangelho de São Marcos, “se alguém quiser ser meu discípulo, negue-se a si mesmo, tome sua cruz e siga-me”, dom Baldisseri observou que na ocasião da celebração junto aos novos bispos, elas “ressoam eloquentes e adquirem um grande significado, junto ao túmulo de Pedro”.